O estado do Ceará tem sido palco de intensas disputas entre facções criminosas pelo controle dos portos, visando o tráfico internacional de drogas. O Comando Vermelho (CV) tem travado uma batalha com a facção local Guardiões do Estado (GDE) pelo domínio do entorno do Porto do Mucuripe, em Fortaleza. Já consolidado no Porto do Pecém, o CV busca expandir suas atividades ilícitas, aproveitando a localização estratégica dos portos cearenses para o tráfico com Europa e Estados Unidos.
Desde junho, a região do Grande Vicente Pinzón, em Fortaleza, tem sido cenário de confrontos entre o CV e a GDE, resultando até na suspensão de aulas em escolas locais. A disputa pelo controle do Porto do Mucuripe é vista como crucial para o tráfico internacional. O relatório da Polícia Civil destaca a importância estratégica dos portos para as operações criminosas, que já contaram com a participação de mafiosos sérvios em esquemas anteriores.
Em agosto de 2019, uma apreensão de 329 quilos de cocaína no Porto do Pecém revelou uma rede criminosa com atuação em diversos estados brasileiros. A quadrilha, liderada por Marcelo Mendes Ferreira e Karine de Oliveira Campos, operava a partir da Bolívia e utilizava um esquema sofisticado de infiltração em empresas portuárias para facilitar o tráfico. A Polícia Federal desmantelou parte da organização em 2024, mas o tráfico continua ativo na região.
As facções no Ceará têm diversificado suas fontes de renda, controlando não apenas o tráfico de drogas, mas também serviços locais, como internet e comércio de produtos falsificados. Esse modelo, inspirado nas milícias do Rio de Janeiro, busca monopolizar territórios e criar uma economia paralela. O professor Fillipe Azevedo Rodrigues observa que essa estratégia de diversificação aumenta os lucros das facções, consolidando seu poder sobre as comunidades locais.

